segunda-feira, 27 de junho de 2011

Depois de vc, Capítulo III - A Subida

  Estavamos novamente na primeira cidade, onde começamos nossa história.
De novo, eu estava cheia de esperanças com um novo recomeço.
No mesmo dia, o patrão dele nos cedeu a casa que estava fechada, para morarmos e meu marido logo começou no trabalho.
Eu estava confiante, a casa era mobiliada, numa rua tranquila, 1 quadra do mar..... Estava começando a me sentir bem novamente, e me sentia subindo, saindo daquele lamaçal em que vivia até então.
Meu marido tbm estava mais disposto, confiante, com o semblante mais vivo.
Finalmente meu sonho de viver em paz estava se delineando como realidade....
Logo tbm fui trabalhar, dessa vez bem próximo de onde ele trabalhava.
As coisas iam bem, finais de semana na praia, compramos uma moto, vivíamos conhecendo lugares novos, passeando, curtindo nossa liberdade, nossas condições.....
Eu sabia que entre os colegas do trabalho, havia 2 em especial que tinham problemas com drogas.
Eu viva tensa, mas tentava confiar nele, e dar uma chance.
Como estávamos bem, considerava que havia terminado a Subida, e finalmente saído do poço, começando mais uma vez, porque a vida é feita de recomeços......
Uma bela tarde, quando meu marido chegou em casa, disse que ia tomar banho, entrou no banheiro e trancou a porta.
Aquilo NUNCA havia acontecido, nem quando moramos com a mãe dele, nunca havia trancado a porta.
A pulga que vivia atrás da minha orelha, começou a se manifestar, e insistindo pra ele abrir, disse que havia trancado sem querer.
Ele sabia da minha desconfiança e se dava por ofendido ainda por cima.....
Quando ele saia, eu buscava em todos os buracos que pudesse haver naquele banheiro, provas pra dar certeza pros meus pensamentos.
Até que um dia, secando o banheiro que eu havia lavado, numa ida do rodinho, saiu do meio da borracha uma nota de dinheiro.
Era suficiente pra mim.
Coloquei ele contra a parede, o mesmo insistia em negar as evidências.
Passei a procurar na carteira quando ele chegava em casa, na espuma do capacete, em tudo que pudesse servir de esconderijo.
Não demorou muito.
Quem procura acha.
A minha SUBIDA, estava prestes a se transformar numa queda vertiginosa em direção ao fundo do poço, mais uma vez.....




continua......

Depois de vc, Capítulo II - O Fundo do Poço

A partir daquele momento, eu comecei a temer pelo futuro, pela primeira vez desde que estávamos juntos.
A recaída para o mundo das drogas foi violenta.
Todo aquele dinheiro, que havíamos juntado com trabalho e esforço, começara a ser gasto com drogas.
Passava as noites em claro, vendo a pessoa que eu amava, se destruir, e acabar com nossa reserva financeira.
Dias sem tomar banho, sem comer, sem dormir, sem vontade de fazer nada, passando as noites consumindo a droga.
Eu vi de perto a paranóia tão falada pelos usuários, a mania de perseguição, o medo.
Meu marido agora parecia um bicho acoado. 
Não o reconhecia mais, não era mais ele.
O dinheiro guardado já não existia mais, e tudo que podia ser vendido, foi, pra comprar aquela porcaria do demônio.
Ameaças de abandono eu fazia, todos os dias, e quando ele estava sóbrio, pedia perdão, chorava arrependido e prometia mudança, mas eu dizia que não acreditava mais nele. 
Que infelizmente a palavra dele pra mim, não valia mais nada.
Em resumo, 8 meses naquela cidade foram suficientes pra me envelhecer 10 anos, me deixar doente, e arrependida de ter ido pra lá.
Depois de um basta na situação, e depois de ameaçar pela enésima vez que deixaria ele sozinho, pois aquela situação estava me matando, ele ligou pro antigo patrão, na primeira cidade onde moramos, e pediu emprego.
Aquele homem que tanto gostava dele, de pronto atendeu, mandou 2 passagens pra pegarmos o primeiro ônibus de volta prá lá.
Tínhamos uma moto nova, financiada, que ele teve que vender por míseros R$400 reais pra poder ir embora sem ficar devendo ao boqueiro.
Pesadelo, que achei que nunca ia acordar.
Isso que omiti os detalhes, que só eu sei, até de ser acusada no auge da loucura dele, de estar escondendo a droga....que já havia acabado, diga-se de passagem.
Essas lembranças, eu tbm gostaria de apagá-las, mas não posso.
O Fundo do Poço eu acabara de conhecer e de viver nele por algum tempo.


continua...........
O aluguel estava atrasado, e as contas acumulando, sem perspectiva de melhora, depois de 10 meses tomamos uma decisão: Iríamos pra cidade dos pais dele.
Mas como sairíamos, sem dinheiro, com contas atrasadas, como faríamos?
Numa manhã, decidimos vender o que tínhamos em casa, televisão, cama, geladeira, fogão, fazer as malas e ir.
Passamos o dia planejando, o que hoje lembramos como " A Fuga" hoje a gente dá risada mas na época foi estranho.
Depois de passar o dia vendendo as coisas, arrumamos as malas, quando anoiteceu, depois que todos já estavam recolhidos (morávamos no mesmo quintal dos donos da casa) nós literalmente fugimos.
De mala e cuia, descemos a ladeira a mil por hora, rindo, num misto de nervosismo e tensão.
Fomos pra Rodoviária, onde passamos a noite, até as 14h do dia seguinte, horário que tinha ônibus pra cidade onde íamos.
Depois de horas em claro, sem muito dinheiro, no banco da Rodoviária, finalmente estávamos embarcando pra outro lugar, dispostos a mudar de vida....
Mal sabia eu, que meu pesadelo estava só pra começar......
Depois de 14h de viagem, chegamos a tal cidade, que por sinal é minha terra natal, mas que devido a ter morado pouco, praticamente não conhecia.
Fomos morar na casa da minha sogra, na esperança de juntar um dinheiro, construir nossa casinha..... esperanças eu tinha, e medo também, já que o passado dele naquela cidade não foi dos melhores, devido o envolvimento com drogas.
Passou muitos anos mergulhado no vício, e depois de estar limpo, voltando pro mesmo lugar corria o risco de ter recaídas......
Comecei a trabalhar um mês depois, e ele, procurando.
Meu pesadelo começou quando encontrei em meio as roupas, no armário, vestígios de droga.
Não nasci ontem, e conhecia muito bem a aparência da maconha, da cocaína e do crack, apesar de nunca ter usado, já havia experimentado a maconha quando era adolescente, mas tbm já tinha visto outras drogas.
Os vestígios que encontrei eram de crack.
Meu mundo caiu, pois eu trabalhava do meio dia às 23h, enquanto ele ficava em casa, usando droga?
Ah não, aí tbm já era demais.
Conversamos e pedi que parasse.
Tive a promessa que era só aquela vez, e que não faria mais. Como sempre, promessas em vão.
Meu tormento se prolongou por mais 2 meses, até que arrumou um emprego.
Eu achava que assim, as coisas melhorariam.
De fato. Conseguimos até juntar uma boa quantia em dinheiro, suficiente para pagar a mão de obra do pedreiro que construiria a nossa casa, que existia já na planta.
O tempo foi passando, o dinheiro aumentando na nossa caixinha, e logo percebi que ele estava estranho novamente. O terror começaria, depois de alguns meses de paz.
Eu saí do emprego, e logo descobri que o envolvimento dele na droga maldita estava profundo, e prejudicando seu desempenho no trabalho.
Até que foi mandado embora tbm.
A partir daí, o fundo do poço foi pouco.




continua.....

Depois de vc, Capítulo I

Minha aventura começou no dia em que cheguei naquela nova cidade.
Desconhecida, mas eu me sentia segura com ele.
Na primeira semana já comecei a trabalhar numa loja no centro, ele tinha o emprego já a alguns anos.
Ia sozinha e voltava sozinha, pra ir conhecendo a cidade, apesar de grande e com muitas delícias naturais (cidade litorânea) eu me encontrei bem, ia pra todo lugar sozinha quando precisava, mas constantemente ele me acompanhava, nunca saia sozinho, nunca me deixou sozinha, um companheiro e tanto.
No início, eu falava pouco, sempre fui faladeira, mas a adaptação estava acontecendo aos poucos, e quase não conversávamos muito, eu era calada, apesar de estar feliz.
Ele me confidenciava que tinha certo receio de eu não aguentar ficar longe da família, de não me adaptar ao jeito dele, essas coisas, mas eu garantia que estava confiante que daria certo.
Os primeiros 6 meses, a rotina era boa, ganhávamos bem, morávamos bem, e gastávamos bem também, claro.
Depois desse período, a empresa onde ele trabalhava foi vendida, e o comprador não soube tocar a diante, tendo que fechar as portas.
Meu trabalho tbm durou os 6 meses, pois era temporário.
Recebemos nossos acertos e vivemos dessa soma por mais 3 meses, até que as coisas começaram a apertar.
Ele não arrumava emprego e tampouco eu, que não conhecia ninguém, apesar de procurar, por ser nova na cidade e ter pouca experiência, ficava mais difícil.
Um amigo dele apareceu com uma proposta de montarem um negócio de sociedade.
Como estávamos sem opção, fomos obrigados a aceitar.
Me mudei d uma região nobre, pra um bairro afastado, uma casa mais simples e as dificuldades financeiras foram aumentando, pois o negócio não estava indo muito bem e o dinheiro era pouco.
Pra ter uma idéia, passei 2 meses lavando roupa na mão, no inverno, e sem pia na cozinha, lavava louça no tanque, e nem panela eu tinha, já que na primeira casa que moramos era completamente mobiliada, desde objetos de cozinha até móveis.
A situação estava ficando ruim, e meu então marido, cada vez mais desesperado.


continua......

A Escolha

  Um ano depois desse encontro, estava eu, com 23 anos, namorando, prestes a me despedir do namorado pois ele viajaria, ficando 2 anos fora do país.
  Depois dessa viajem, fiquei sozinha, saindo com as amigas e nada de esperar o regresso do namorado não.
 Eis que o destino, pregador de peças como sempre, me trás de volta o primo, 1 ano depois, da mesma maneira, na casa da tia em comum.
 Dessa vez, senti que era uma segunda chance, de tentar viver uma aventura ou uma história de amor, e só assim saber se daria certo ou não.
 O encontro foi ótimo, a química inegável, e o desejo menos ainda.
 Nessa altura, estávamos totalmente envolvidos e o convite para ir com ele foi de pronto aceito, ainda mais que minha mãe era contra.
Em 20 meses de planejamento, arrumei minhas coisas, e só me despedi de minhas irmãs e de meu pai, pois minha mãe estava trabalhando.
Foi praticamente uma fuga, sem pensar em mais nada, queria viver esta história.
O ano era 2005, e em Dezembro chegamos na cidade onde começaria a escrever um novo capítulo  da minha história.
Eu fiz uma Escolha, já era adulta o suficiente e encarei de frente as consequências que poderiam vir depois, mas eu não queria saber do depois....
Queria saber do agora que estava vivendo.
E tinha certeza que seria bom.......
  Uma cidade estranha, longe da minha familia, com alguém que mal conhecia........
   Tudo era novo, o cheiro, o gosto das coisas, a ansiedade em conhecer tudo.....
Era um turbilhão de sentimentos, euforia, medo, alegria, tristeza.....
Saudades.....expectativas....... Era tudo novo e tudo acontecia de repente.........
Fui em frente, resolvi que era ali mesmo que faria minha vida, ao lado dele sim.


continua....

O Reencontro

  Passado alguns anos, eu estava no auge de meus 22 anos, estudando, saindo, namorando.
Nessa época estava namorando um homem que já contava com seus 33 anos, gostava dele, mas no fundo eu sabia que estava apenas acostumada com sua companhia, e que mais tarde isso seria comprovado por mim de maneira irrefutável.
Um belo dia, ao visitar uma tia, tive a surpresa de encontrar na casa dela, o primo, a paixão adolescente, agora homem feito, bonito, agradável, apaixonante.....
 Estava morando em outro Estado e passou pra fazer uma visita.
Conversamos muito, colocamos as novidades em dia, me contou sua trajetória desde aquela época da infância, eu contei a minha.
O convite para conhecer a cidade onde ele estava veio logo, mas não aceitei, pois até então havia escutado muitas histórias sobre ele, que era irresponsável e que não se prendia a ninguém, fiquei com medo.
Nos despedimos, e desse dia em diante, não pude mais deixar de pensar nele, e me sentia um pouco arrependida de não ter topado a aventura, afinal, eu não tinha nada a perder, estava no começo de um namoro, mas não era nada sério pra mim, apenas questão de companhia e massagem no ego.
Sim, afinal, eu havia "roubado" o namorado de alguém, e isso me fazia sentir que eu podia tudo.
E o ano passou, eu remoendo a história, buscando saber mais do paradeiro dele através dos parentes, mas nada que me contavam era novidade, apenas sempre ouvia que ele estava solteiro, pois não se envolvia com ninguém.
Segui a diante, amargando a chance desperdiçada......


continua....

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Esquecimento e reviravolta

    Depois daquelas férias e dos descobrimentos, nunca mais vi aquele primo.....
    Ainda pensei muito nele, claro, como qualquer menina pensaria no garoto com quem teve a primeira experiência do beijo......mas não tive mais notícias, a não ser aquelas que esporadicamente os parentes passavam, um relatório das novidades.......
     A vida seguiu seu curso normalmente. Foi a fase do esquecimento, pq eu esqueci dele ao longo do tempo.
Estudava, crescia, fazia amigos, conhecia pessoas, mas nada muito importante, pois aos 15 anos ainda era tratada pelos meus pais como uma boneca de louça, e não saia de casa pra nada, além do colégio, e passeios em família.
       Nessa época, a primeira mulher de meu pai apareceu, requerendo os direitos da filha, que naquele século, as pensões alimentícias eram devidas independente de citação do pai, sentença, bastava a mãe mover a ação e cobrar desde a separação ou nascimento da cça que estava garantida a bolada pra ela....
E assim aconteceu.
Meu pai foi preso por pensão alimentícia, e desfrutou de 15 dias no xilindró, até que minha mãe conseguiu dinheiro pra pagar pra ele sair, emprestando do patrão na época e trabalhando 4 meses sem salário pra devolver. A minha avó nem se mexeu. Disse que era bem feito, pois ele sabia da obrigação....não tiro a razão dela.
Como não existia meios de conseguir a quantia que estava sendo cobrada, a casa da família foi penhorada e meu pai teve que vendê-la pra quitar seus débitos. Esta foi a fase da reviravolta, pois a partir deste dia, nossa vida mudou drasticamente.
Era ano de 1998. O negócio estava certo, casa vendida, um veículo que entrou como parte do pagamento, a promessa de pagar o restante em 30 dias, malas prontas, todos à bordo, rumo a cidadezinha do interior onde moravam meus avós maternos, pois era lá mesmo que passaríamos a morar.
No começo foi bem, tínhamos dinheiro pra manter as despesas, mas meu pai não conseguia trabalho na área dele, e as coisas começaram a apertar, o dinheiro começou a acabar.......
Primeiro cortou-se a luz, depois a água, depois começou faltar alimento, e sobrar desespero.
Minha mãe precisou por em prática sua formação novamente, já que antes disso tudo acontecer era professora num colégio particular, nunca deixou de trabalhar.
Foi em busca de trabalho em outra cidade, enquanto nós ficamos com meu pai, que a essa altura dos meus 16 anos já o via como uma pessoa desequilibrada, pra não dizer esquizofrênica.
Essa foi a Reviravolta, pois de classe média alta, com carro, casa própria, em bairro nobre da Capital, fomos parar na periferia de uma cidade pequena, a pé, pagando aluguel e dependendo de ajuda pra ter o que comer.
Essas memórias eu gostaria de poder apagá-las, mas infelizmente não posso.
Minha mãe conseguiu emprego e alugou uma casa, e fomos todos pra essa nova cidade, sem saber do futuro.
Um bairro afastado, uma casa escura, pequena e pobre, de chorar mesmo.
Coitada da minha mãe.
Meu pai se acomodou mesmo, não gostava de trabalhar, gostava mesmo era de perturbar o sossego da gente, mas apesar disso as coisas foram evoluindo.....melhorando.......



continua....

O Renascimento

          Pois bem.
Aos 12 anos nasci outra vez, pois foi nessa idade que comecei a descobrir as delícias da paixão......
         Acho que todo mundo já se apaixonou por uma prima, um primo, quando era adolescente, e comigo não foi diferente.....
         Senti o gosto da paixão a primeira vez com essa idade ao conhecer um primo que praticamente não conhecia, pois apesar de termos nascido no mesmo ano, com alguns dias de diferença, termos fotos de quando crianças juntos, nos separamos enquanto éramos bebês, e essas memórias se perderam.
         Nas férias do final de ano, deu certo de todo mundo se reunir, e conheceríamos os parentes que a muito não víamos ou que nem mesmo conhecíamos.
        Foi neste momento que senti as borboletas no estômago, a certeza de ter ficado vermelha, essas coisas que a gente ouve falar, mas enquanto não acontece achamos que é lenda.....
Conheci meu primo, e apesar da mesma idade, ele era beeem mais "adulto", pois já trabalhava, e andava com amigos mais velhos, fazia o que eles faziam, acho que por isso amadureceu depressa, enquanto eu ainda brincava de bonecas e nunca havia beijado ninguém......isso era muito pra meninas na minha idade.
Mas, ao longo do dia, a conversa com o primo foi fluindo, as afinidades aparecendo, a curiosidade aumentando e a vontade aflorando.........
      Eis que acabara de dar o primeiro beijo, e modéstia a parte, fui muito bem no quesito "desenvoltura".....
          Esse episódio marca o Renascimento, pois eu acabara de nascer pro mundo e pra vida real, acabara de nascer pras emoções do coração e pras sensações que meu corpo estava apresentando pela primeira vez.....
          Mal sabia eu que o futuro me reservava muito mais do que um beijo no calor da paixão adolescente........


continua........

O Nascimento

Nasci no Oeste do Paraná, no Inverno de 1982, sob o signo de Leão, regido pelo Sol; não que eu acredite no horóscopo, mas como todo leonino, sou emotiva, quente, extrema, alegre, líder......pois bem. Sou a 2° filha de minha mãe, e 3° do meu pai. Ao todo, somos 5 irmãos, sendo um deles filha do meu pai do primeiro casamento.
Nasci numa família estruturada, com pais estudados, condição financeira estabilizada.
Neta de Italianos por parte de mãe, e Poloneses por parte de pai. Uma mistura meio estranha, concordo, mas acho que deu certo.
Minha mãe vem de família humilde, do interior, a caçula de 7 filhos, minha avó foi lavadeira, faxineira, e meu avô borracheiro.
Confesso que uma família materna pra lá de confusa, mas como todas por aí, que apesar das diferenças que existem entre os seus, existe o amor....
Conheceu meu pai, filho único, de mãe costureira e pai relojoeiro, quando tinha15 anos, enquanto ele já tinha 25.....
Meus avós maternos sempre muito coruja com filhos, netos e bisnetos.
Meus avós paternos, não muito.
Minha avó sofreu no parto, e descontou isso no meu pai a vida toda.
Era mesquinha, egoísta, fazia conta de um grão de arroz, porém era honesta e nunca ficou devendo nada pra ninguém, mas tbm não emprestava, por mais que sobrasse....
Meu avô, trabalhador que era, morreu aos 67 anos, depois de sofrer alguns derrames, por conta do descuido com a saúde, pois achava que por ser magro, não teria hipertensão......
Eu tinha 4 anos e morava na Capital do Estado desde os 2.
Assim, a vida seguiu seu curso.
Eu passava as férias de verão na casa da minha avó materna, numa cidadezinha do interior do PR, no sítio mesmo...Nossa, como era bom aquele tempo, que eu era inocente, e tudo era divertido, leve, gostoso....Saudades que sinto........
Todo ano era a mesma coisa. A ansiedade começava a se apossar de mim já em Agosto, pois eu não via a hora de chegar as Férias de Dezembro pra sumir da cidade grande e esquecer da vida me divertindo no sítio.
Minha fiel companheira era uma prima, 1 ano mais nova apenas, que não tinha medo de nada e tudo era "de boa"....kkkkkkkkk
As 10 anos a gente já roubava cigarros da minha avó pra fumar escondido, e nem sabíamos como era, mas pra nós estava ótimo, já que sentíamos que éramos donas de nosso nariz......
Não tinha muito contato com outros primos e primas, porque a maioria morava muito mais longe, em outros Estados ou em cidades do PR que ficava mais difícil reunir todo mundo na mesma época.
Esta etapa da minha vida eu chamo de inocência, pois considero que nós não tínhamos malícia de nada, não assistíamos muita TV por tanto nossa mente não era tão poluída como as cças de hoje....
Aos 10 anos a gente brincava de boneca, colecionava Barbies, andava de bicicleta, jogava bola na rua....
Era muito mais puro, por isso é a minha época da Inocência..............




continua...........