quarta-feira, 22 de junho de 2011

Esquecimento e reviravolta

    Depois daquelas férias e dos descobrimentos, nunca mais vi aquele primo.....
    Ainda pensei muito nele, claro, como qualquer menina pensaria no garoto com quem teve a primeira experiência do beijo......mas não tive mais notícias, a não ser aquelas que esporadicamente os parentes passavam, um relatório das novidades.......
     A vida seguiu seu curso normalmente. Foi a fase do esquecimento, pq eu esqueci dele ao longo do tempo.
Estudava, crescia, fazia amigos, conhecia pessoas, mas nada muito importante, pois aos 15 anos ainda era tratada pelos meus pais como uma boneca de louça, e não saia de casa pra nada, além do colégio, e passeios em família.
       Nessa época, a primeira mulher de meu pai apareceu, requerendo os direitos da filha, que naquele século, as pensões alimentícias eram devidas independente de citação do pai, sentença, bastava a mãe mover a ação e cobrar desde a separação ou nascimento da cça que estava garantida a bolada pra ela....
E assim aconteceu.
Meu pai foi preso por pensão alimentícia, e desfrutou de 15 dias no xilindró, até que minha mãe conseguiu dinheiro pra pagar pra ele sair, emprestando do patrão na época e trabalhando 4 meses sem salário pra devolver. A minha avó nem se mexeu. Disse que era bem feito, pois ele sabia da obrigação....não tiro a razão dela.
Como não existia meios de conseguir a quantia que estava sendo cobrada, a casa da família foi penhorada e meu pai teve que vendê-la pra quitar seus débitos. Esta foi a fase da reviravolta, pois a partir deste dia, nossa vida mudou drasticamente.
Era ano de 1998. O negócio estava certo, casa vendida, um veículo que entrou como parte do pagamento, a promessa de pagar o restante em 30 dias, malas prontas, todos à bordo, rumo a cidadezinha do interior onde moravam meus avós maternos, pois era lá mesmo que passaríamos a morar.
No começo foi bem, tínhamos dinheiro pra manter as despesas, mas meu pai não conseguia trabalho na área dele, e as coisas começaram a apertar, o dinheiro começou a acabar.......
Primeiro cortou-se a luz, depois a água, depois começou faltar alimento, e sobrar desespero.
Minha mãe precisou por em prática sua formação novamente, já que antes disso tudo acontecer era professora num colégio particular, nunca deixou de trabalhar.
Foi em busca de trabalho em outra cidade, enquanto nós ficamos com meu pai, que a essa altura dos meus 16 anos já o via como uma pessoa desequilibrada, pra não dizer esquizofrênica.
Essa foi a Reviravolta, pois de classe média alta, com carro, casa própria, em bairro nobre da Capital, fomos parar na periferia de uma cidade pequena, a pé, pagando aluguel e dependendo de ajuda pra ter o que comer.
Essas memórias eu gostaria de poder apagá-las, mas infelizmente não posso.
Minha mãe conseguiu emprego e alugou uma casa, e fomos todos pra essa nova cidade, sem saber do futuro.
Um bairro afastado, uma casa escura, pequena e pobre, de chorar mesmo.
Coitada da minha mãe.
Meu pai se acomodou mesmo, não gostava de trabalhar, gostava mesmo era de perturbar o sossego da gente, mas apesar disso as coisas foram evoluindo.....melhorando.......



continua....

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