O aluguel estava atrasado, e as contas acumulando, sem perspectiva de melhora, depois de 10 meses tomamos uma decisão: Iríamos pra cidade dos pais dele.
Mas como sairíamos, sem dinheiro, com contas atrasadas, como faríamos?
Numa manhã, decidimos vender o que tínhamos em casa, televisão, cama, geladeira, fogão, fazer as malas e ir.
Passamos o dia planejando, o que hoje lembramos como " A Fuga" hoje a gente dá risada mas na época foi estranho.
Depois de passar o dia vendendo as coisas, arrumamos as malas, quando anoiteceu, depois que todos já estavam recolhidos (morávamos no mesmo quintal dos donos da casa) nós literalmente fugimos.
De mala e cuia, descemos a ladeira a mil por hora, rindo, num misto de nervosismo e tensão.
Fomos pra Rodoviária, onde passamos a noite, até as 14h do dia seguinte, horário que tinha ônibus pra cidade onde íamos.
Depois de horas em claro, sem muito dinheiro, no banco da Rodoviária, finalmente estávamos embarcando pra outro lugar, dispostos a mudar de vida....
Mal sabia eu, que meu pesadelo estava só pra começar......
Depois de 14h de viagem, chegamos a tal cidade, que por sinal é minha terra natal, mas que devido a ter morado pouco, praticamente não conhecia.
Fomos morar na casa da minha sogra, na esperança de juntar um dinheiro, construir nossa casinha..... esperanças eu tinha, e medo também, já que o passado dele naquela cidade não foi dos melhores, devido o envolvimento com drogas.
Passou muitos anos mergulhado no vício, e depois de estar limpo, voltando pro mesmo lugar corria o risco de ter recaídas......
Comecei a trabalhar um mês depois, e ele, procurando.
Meu pesadelo começou quando encontrei em meio as roupas, no armário, vestígios de droga.
Não nasci ontem, e conhecia muito bem a aparência da maconha, da cocaína e do crack, apesar de nunca ter usado, já havia experimentado a maconha quando era adolescente, mas tbm já tinha visto outras drogas.
Os vestígios que encontrei eram de crack.
Meu mundo caiu, pois eu trabalhava do meio dia às 23h, enquanto ele ficava em casa, usando droga?
Ah não, aí tbm já era demais.
Conversamos e pedi que parasse.
Tive a promessa que era só aquela vez, e que não faria mais. Como sempre, promessas em vão.
Meu tormento se prolongou por mais 2 meses, até que arrumou um emprego.
Eu achava que assim, as coisas melhorariam.
De fato. Conseguimos até juntar uma boa quantia em dinheiro, suficiente para pagar a mão de obra do pedreiro que construiria a nossa casa, que existia já na planta.
O tempo foi passando, o dinheiro aumentando na nossa caixinha, e logo percebi que ele estava estranho novamente. O terror começaria, depois de alguns meses de paz.
Eu saí do emprego, e logo descobri que o envolvimento dele na droga maldita estava profundo, e prejudicando seu desempenho no trabalho.
Até que foi mandado embora tbm.
A partir daí, o fundo do poço foi pouco.
continua.....
Nenhum comentário:
Postar um comentário